Procuro-me PDF Imprimir E-mail

 

Sobre o Livro “Procuro-me”

Luciano, fiquei com “você” um tempão. Vi você brincar com as contradições, fazer filosofia com a poesia e poetizar a psicologia. Amei sua busca e seu desencontro. Identifiquei-me na indefinição do tempo e na enfermidade da emoção. Suicidei-me, renasci, espantei-me.
Conheci você até o limite do “sou tantas coisas que não sou” e, de todo o coração, digo: - Muito Prazer”
Um abraço, um beijo

Baby / 08/08/1988

-------------------------------------------------------------------


PREFÁCIO

Luciano é um jovem poeta que sabe integrar o cotidiano e a versátil aplicabilidade da palavra.
A sua intuição poética não permite qualquer renuncia que a maioria dos jovens fazem, espontaneamente, ou são tomados por circunstância, quando a exigüidade do tempo cria o sentido da falsa dicotomia entre o “fazer” técnico e o artístico. Esse paradoxo do indivisível, que desvia a afirmação afirmativa de muitos jovens, não impede ao nosso poeta/administrador de conciliar suas sensações e sentimentos, exprimindo sutilezas do raciocínio, num conjunto poético-filisófico de agradável leitura.

Em “PROCURO-ME’ encontramos legítimas apropriações de leituras, de visões diversificadas, que deixam transparecer a sensibilidade aguçada do poeta, que nos oferece, neste volume, belas imagens com uma poesia autentica. O que presenciamos, neste livro, é uma obra eivada de poemas de ação e de impulsos afetivos.

O poeta cria um mosaico de mensagens, discernindo fatos que fluem do subconsciente ou da força natural do jovem que, a cada momento, procura analisar o ser e o mundo culturalmente. São muitos os poemas nos quais Sheik demonstra sua capacidade de domínio sobre a palavra em função de um pensamento intuitivo, não permitindo a concretização de simples jogo de palavras, expressando esse elemento de criação humana que envolve sentimento, a forma e o conteúdo.

Seus poemas demonstram a capacidade reflexiva e abstrata de realização intelectual, essa capacidade, espontânea e intuitiva, é mais um dos valores do poeta e não se confunde com as normas da sapiência do intelectualismo.
Com este segundo livro: Procuro-me, percebesse uma certa evolução em relação ao primeiro, e projeta-se novas perspectivas de amadurecimento do poeta Luciano/Sheik.

Benito Taranto - Diretor Cultural da UFV


-------------------------------------------------------------------


POETA SHEIK

Sheik é um poeta. Um jovem poeta moderno, de poemas curtos, soltos, des (comprometido) e pagãos.
A poesia tem para ele, o sabor da filosofia, da indagação, da indignação, do mundo das idéias, num mundo sem ideais.
A excitação e o horror de ser poeta o domina, sente-se impotente, frágil (de costas), fraco (de frente); mas há um fio de esperança solto, alguma coisa ainda que nos faz acreditar.
Sheik poeta * “é uma corda, uma corda estendida entre” um poeta e o poeta, uma corda sobre ele mesmo.
* Parafraseando Nietsche.

Rainer Públio

-------------------------------------------------------------------


                            METALISTICA

                             A grana
                             Engrena
                             A gana.
                             Gangrena
                             Capitalista...

 



                               DILÚVIO

                   Neste instante
                   Não ocupo
                   Nem os espaços claramente vazios.
                   Não tenho mais desejos,
                   Apenas desejo ter desejos.
                   Estou fraco de mim.
                   Preciso renascer em alguém.
                   Sou abstrato
                   O mundo se faz em concretos.
                   Sofro pelo pouco que sei
                   E pelos poucos que sabem como sou.
                   Tudo é nada mais
                   É mais tudo que nada.
                   Sou mais um sem-vergonha
                   Que ama e sofre com a compreensão
                                           Com o sonho.
                   A realidade é o maior sofrimento.
                   Tudo acima é um erro meu:
                   A vida, mesmo passada, não é um instante
.