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FORÇA JOVEM Estes poemas vem provar que os jovens não andam alienados, como muita gente poderia imaginar. Estão eles realmente engajados na construção de uma sociedade mais justa, com muita paz, muito amor. Um mundo melhor. E a poesia é o melhor caminho para nos levar a um mundo de sonho, de beleza, de comunicação e – por que não? – a uma revolução social, através da palavra, identificando valores, legitimando idéias e captando sentimentos. Foi com imenso prazer que li os poemas de Luciano Esteves Mendes, que ora se revela poeta. Poeta jovem, mal saindo da adolescência. Se ainda não adquiriu a técnica dos mestres o que é natural, trás ele consigo a sensibilidade que marca os verdadeiros poetas: “Sem querer, uma poesia/ Sai de mim. / Penso no nada/ Vejo tudo que há/ Dentro de mim”. Luciano, nos seus verdes anos, pensa na fugacidade de vida e sente que tem muita coisa a descobrir, mas confia no futuro, como é certo nos moços de ideal: ”Percebo a fugacidade, / Nos limita a idade/ Penso: deve haver algo/ Como se um lago/ Cheio de garças/ E graças... / Vou infinitas imaginações/ Por segundo. / Mergulho num poço/ Seu ter fundo/ A alegria que o mundo/ Ainda há de pintar/ Pra eu poder sonhar...”. Nos versos bonitos de Luciano Esteves Mendes estão presentes o vinho, a lua e o violão, que se transfundem, num inebriante licor: “Essa essência/ Que relaxa minha timidez/ Embriaga minha inocência/ Me ensina poesia/ Numa noite fria/ Quente em meus lampejos/ Repletos de desejos”. E a música? “Música é a fecundação/ Do amor à arte/Em qualquer parte/ Inunda o coração”. E há sonho, paixão, vida, sorriso, mocidade, pessoas e lugares nos poemas de Luciano, numa linguagem distinta, suave, bem elaborada, às vezes elíptica, geralmente terna, cheia de calor humano. Pela sensibilidade, talento e inteligência, Luciano Esteves Mendes, com este seu livro de estréia, já pode ser considerado uma força jovem a valorizar significativamente a literatura de nossa terra. Kleber Rocha Da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais (AMULMIG) e Da União Brasileira de Escritores (UBE) -------------------------------------------------------------------- COISAS DA JANELA Por essas, Meu peito Bate como asa E na casa Faz um leito Pra ninar As estrelas Em sua janela Fico a contar Histórias pra lua Minguando a rua Já um deserto E aperto Uma sorte Entre os medos Sem que a morte Ou qualquer segredo Venha me varrer. UM ROMANCE Manhã... Tarde...Noite... A manhã assanha a tarde A tarde arde à noite A noite manha a manhã Tarde da noite Não dá mais Só a-ma-nhã Nem de tarde Nem de noite Nem de manhã CRUZ E ESPADA
E aí coração?! Como vai sobreviver A tanta ilusão E não saber Quando achar Caminho real... Agonia, Dilacera no peito A magia De um moço, feito Um desvairado pássaro Sob a vigília de um caçador Coração gira Como um Cata-vento Não pára um momento...
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